Segundatina: Stardew Valley

Stardew Valley é um dos meus jogos favoritos de todos os tempos. Ele foi produzido por Erick Barone, fã apaixonadíssimo pela série Harvest Moon, que foi ficando mais e mais complexa, errando enquanto tentava acertar.

Quando foi publicado pela Chucklefish Games, em 2016, Stardew Valley se tornou um verdadeiro fenômeno. "O retorno dos jogos de fazendinha", bradaram alguns, quando o gênero nunca deixou de existir. De qualquer forma, o jogo explodiu em sua época e voltou aos holofotes no segundo semestre do ano passado, quando foi lançado o port para iOS, em outubro. O de Android foi prometido para "algum momento em 2019" e foi lançado no dia 14 de março, motivando sua aparição na coluna desta semana.

Enredo

Em Stardew Valley o jogador assume o papel de um personagem saturado do trabalho em uma grande corporação na cidade. Seu avô, no leito de morte, deixou uma fazenda localizada em uma pequena cidade no interior para o neto, desafio prontamente aceito pelo protagonista. No fim das contas, a introdução está lá como uma desculpa para que o game aconteça, simples assim. E não há demérito algum nisso.

É um gosto pessoal optar por jogos que sabem onde está seu apelo - neste caso fica na mecânica - e que focam justamente em seu melhor ponto. O game em questão até tem milhares de linhas de diálogo, relacionamentos com os moradores da cidade, quests para revitalizar o centro comunitário e a economia local, mas é tudo opcional, e se você quiser simplesmente passar de 15 a 30 minutos pescando, cuidando da fazenda ou minerando, pode fazer justamente isso.

Jogabilidade

Acredito que este seja o ponto principal do jogo da semana. Ele é complexo, com uma leve camada que emula a simplicidade. Você pode simplesmente fazer uma plantação e regá-la todos os dias, e também pode colocar "x" sementes no solo e antes ará-lo, passar um fertilizante que retém o líquido e elimina necessidade de regar diariamente a plantação, ou ainda colocar um aspersor para "aguar" sua plantação, e ainda produzir aspersores melhores que terão mais tiles alcançados.
A fazenda começa uma bagunça absurda - Foto: Reprodução

O jogador também pode montar um galinheiro e colocar algumas galinhas por lá para produzir ovos e ser feliz. Ou você pode ampliar o local para que caibam mais do que quatro galinhas, colocar um silo do lado para garantir que haja alimento no inverno, soltar os animais durante o dia para que deem um "rolê" na fazenda e ainda cuidar da felicidade deles.

O mais interessante dessa opção adotada pelo jogo - claramente inspirada por Harvest Moon - é que todas essas situações que a princípio parecem complexas são evoluções naturais. Você vai querer melhorar o machado quando encontrar um tronco diferente que não consegue cortar, e também vai querer melhorar o regador quando perceber que ele fica sem água antes de alcançar metade da sua produção na "roça".

Toda essa complexidade não está lá desde o começo, e aparece durante sua evolução nos elementos de RPG do jogo. Ao iniciar a run o jogador sofre para plantar e colher. Com alguns dias de prática, o protagonista sobe de nível ao ganhar proficiência em áreas como cultivo, mineração, coleta, pesca e combate. É possível chegar até o nível 10 em cada habilidade, e no meio do caminho você pode escolher uma especialização.

No cultivo, por exemplo, ao atingir o nível 5 o jogador pode ser rancheiro ou cultivador, o que vai influenciar no valor de venda de produtos de origem animal ou daqueles cultivados na fazenda. Já na pesca é possível escolher entre pescador e armadilheiro, que também tem suas diferenças. É uma forma de o jogo te dizer que você vai ser um mestre na habilidade que desejar aprimorar (ou em todas elas, afinal, basta dedicar tempo pra cada tarefa) e pode continuar sendo aprendiz em todo o resto.
É complexidade que você quer, @? Dá até pra casar no jogo! - Foto: Reprodução

No caso de querer ser única e exclusivamente fazendeiro, você pode comprar minérios no ferreiro local, e converter esses itens em barras para suas construções. O ponto negativo é a falta de opções no early game. Quem deseja ficar rico no joguinho precisa apelar para a pesca no início, que é o caminho mais fácil para conseguir uma grana e investir em plantação maior.

Mobile

Ainda em relação à jogabilidade, ela funciona muito bem no computador e também nos consoles, mas divide opiniões na versão mobile. Isso porque para Android e iOS você pode clicar onde o personagem deve ir ou usar os famigerados botões virtuais. Achei a opção padrão bem ok, mas os descontentes com os dois modos de controle podem parear um joystick bluetooth ou plugar algum controle USB e serem felizes.

A adaptação para Android, feita pelo estúdio The Secret Police (que também fez a versão de iOS) veio com alguns bugs. O mais irritante deles é no som - geralmente quando saio da mina o áudio fica com "eco", e percebi isso usando fones de ouvido - que, por sinal, são extremamente necessários (sério, jogue usando fones de ouvido). Fiz o report e o normal é que seja resolvido em breve. Aliás, no dia seguinte ao lançamento já houve um patch pra corrigir erros apresentados pelo port - jogo fechando em diálogo com NPC era algo que acontecia no primeiro dia, por exemplo, mas foi corrigido. Senti também uns slowdowns enquanto cortava árvores na fazenda. É um ponto a se otimizar, mas o velho Snapdragon 625 do smartphone pode ter contribuído pra isso.

Como a versão móvel tem pouquíssimas diferenças em relação à de PC, é possível até mesmo copiar o save que você tem na Steam e usar no smartphone. É algo que tem de ser feito manualmente e não há uma ferramenta oficial de importação ou sincronização com a nuvem aqui.

Seria exigir demais, não é mesmo? Aliás, a principal diferença aqui é a inexistência do multiplayer, recurso que demorou a ser implantado nos computadores (dois anos e alguns meses), ainda não funciona de forma ideal e também não existe nos consoles. Também não há suporte a mods, mas invariavelmente alguém vai fazer um app pra resolver isso. De resto, o conteúdo do mobile é o mesmo existente nas outras versões.

Vale a pena?

Sem dúvida alguma. Você não precisa ter conhecido Harvest Moon, Story of Seasons ou qualquer outro game de gerenciamento de fazenda para se aventurar em Stardew Valley. Talvez ele não tenha o tutorial mais explicativo de todos, mas é muito intuitivo.
Olha só quanto tempo de jogo só na versão mobile - Foto: Reprodução

Acredito que este seja um jogo perfeito tanto para jogatinas despretensiosas quanto pra dedicação intensa. Comprei a versão móvel no dia do lançamento e, entre algumas sessões que duravam minutinhos aqui e minutinhos ali, acumulei mais de 30 horas de jogo! Já é quase quatro vezes mais tempo do que as míseras quatro horas que dediquei à versão Steam - que comprei alguns meses após o lançamento, diga-se de passagem. Aliás, sempre me perguntei o motivo de não existir uma versão para dispositivos móveis, pois o jogo era ideal pra isso. E hoje ela está aí.

Onde e quanto?





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