Mountain Climber: Frozen Dream | A cópia safada e mercenária de Celeste

Lançado em 2018 pra Windows, Linux, PS4, Xbox One e Nintendo Switch, Celeste foi uma verdadeira dádiva. Tanto é que o game ganhou o prêmio de melhor jogo independente do ano no TGA (The Game Awards). 

Várias coisas tornaram Celeste marcante: a jogabilidade, os gráficos, a trilha sonora singular e o enredo. Aliás, ah, que enredo cativante. Não que seja cheio de reviravoltas e aspectos hollywoodianos, mas o jogo trata abertamente de problemas psicológicos como ansiedade e depressão. A palavra marcante, citada no início deste belo parágrafo, é um perfeito resumo da ópera de Celeste. E, como estamos fartos de saber desde Super Mario Bros., tudo que faz sucesso rende ao menos uma dezena de clones. 

Com a popularização do mobile gaming, uma certeza no mundo atual é que se seu jogo não for portado para alguma plataforma móvel, com certeza ele será copiado na cara dura. É com essa máxima em mente que surge Mountain Climber: Frozen Dream. Desenvolvido pelo espanhol Rubén Pecellin, o game conta a história de um escalador aleatório que tem como objetivo escalar uma montanha que ninguém jamais escalou, em uma jornada de autoafirmação e repleta de provações. Soa familiar? Pois é.

Com menos de cinco cenários, Mountain Climber é mais um jogo freemium, o que significa que ele é "de grátis", mas você vai ter que desembolsar grana em algum momento e/ou ver propagandas. E esse jogo é literalmente um ad-hell. Até tem algumas linhas de texto querendo forçar profundidade, mas talvez seja a única coisa positiva, pois o resto todo é composto por pontos negativos. O primeiro ponto é a dificuldade extremamente elevada do game. Qualquer passo é o suficiente para o jogador morrer de uma forma absurda e sem sentido. A jogabilidade parece ser bem simples: um toque na tela para pular, e um enquanto está no ar para ativar o "Dash". É algo até esperado para algo inspirado em Celeste, não fossem os obstáculos que muitas vezes surgem rápido demais para lhe arrancar uma vida.
O estilo gráfico até que é legal, mas também
é a única coisa boa do jogo. Foto: Reprodução

No começo achei que fosse pura falta de habilidade, mas em dado momento percebi que os toques simplesmente não respondem da forma como deveriam na maioria das vezes. Aí entra a parte do freemium em ação. Como o desenvolvedor sabe que você vai perder vidas diversas vezes, colocou um contador de corações limitados. Após zerar, você é obrigado a usar um coração azul (que é pago) para restaurar sua vida ou assistir uma propaganda. Além do ad para poder continuar jogando, você enxerga o tempo todo uma propaganda na parte inferior da tela e, às vezes entre uma morte e outra, surge uma propaganda de 30 segundos DO NADA ocupando a tela toda. Para remover as "propagandas forçadas" (nome que o próprio jogo dá aos ads) você precisa pagar ao menos R$ 7,99. O lado bom é que esse valor acompanha alguns corações azuis.

No entanto, mesmo após gastar você ainda tem vidas limitadas e precisa gastar mais ou continuar vendo propagandas para continuar jogando. Ah, e já na primeira fase do jogo aparece um grandíssimo botão "Help" no canto superior esquerdo. Clicando nele você vê uma propaganda e aí pode ver um vídeo ensinando a passar a fase em que acabou empacando. Legal, né? Não. Essa, aliás, foi a minha maior frustração com Mountain Climber, a de saber exatamente o que fazer e como fazer para passar de fase, mas a única forma de interagir com o personagem não ser responsiva o suficiente para conseguir executar os pulos nos momentos necessários. 

A cereja do bolo vem agora, na trilha sonora. As músicas e efeitos do jogo tem volume extremamente baixo. Significa que você vai precisar usar fones de ouvido e colocar o volume do seu dispositivo no máximo para ouvir alguma coisa. Isso até do nada surgir uma propaganda com som EXTREMAMENTE ALTO para estourar seus tímpanos. Mais um requinte de crueldade na receita, fazendo jus ao termo "propaganda forçada" e reforçando ainda mais o sentimento de frustração do jogador com o objetivo de embolsar alguns dinares. Talvez o desenvolvedor não tenha se tocado de que, na maioria das vezes, esse tipo de atitude gera efeito contrário.

O saldo que Mountain Climber deixa é negativo, um gosto amargo na boca de quem joga. Se a jogabilidade fosse um pouco melhor e houvesse menos "forçação de barra" com as propagandas, o jogo talvez até poderia ter chance de ser um clone decente. Definitivamente é um game não recomendado. 

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