O Batedor e a Caçadora - Prólogo


 Após a grande explosão, que remodelou o planeta e nossas vidas, os seres humanos evoluíram para uma nova espécie, os Mitty, seres excepcionais com mutações incríveis que lhes proporcionaram poderes inimagináveis.
 A junção dos continentes resultou no que hoje chamamos de Naroly, um único reino repartido em 50 distritos e diferentes classes Mitty. Logicamente cada classe é classificada de acordo com suas especificações físicas, místicas e “magicas”. Existem também seres que renegam a sua mutação, decidindo viver sem usar seus poderes. Essa não é uma prática incomum, muitos dos ancestrais dessa nova geração decidiram continuar com as vidas que levavam antes da explosão, mesmo com suas mutações.
 O hábito não necessariamente é passado em família. Vários Mittys, por ocorrência de algum trauma ou simplesmente em busca de redenção também aderem a essa prática. Para eles existe um distrito, um lugar onde podem viver tranquilamente suas vidas distantes daqueles que possuem poderes, o distrito 47. Esse distrito é conhecido por ser a habitação dos Humani, a classe daqueles que renegam seus poderes ou que tem poderes inúteis ou quase nulos, em si um distrito pacato, que remete muito às antigas cidades que um dia enfeitaram nosso planeta, em alguns pontos arranha-céus, em outros, pequenas vilas habitadas por cinco ou seis famílias.
 O mês é março do ano 2100 D.E. (depois da explosão). Especificamente ao sul do distrito, existe um vilarejo comum habitado por cerca de 150 famílias, algumas renegadas e outras meramente sem poderes. Ao leste do vilarejo, em uma praça simples, há árvores, quatro bancos espalhados, um em cada lado do parque, e uma quadra de esportes, onde podemos ver crianças soltas, correndo e brincando. Em um dos bancos há dois pais, ambos de meia idade, conversando sobre seus filhos, sendo um com poderes desconhecidos, mas supostamente fraco, de estatura média, cabelos pretos, olhos castanhos. O outro, um renegado, de porte atlético, cabelo de cor vermelho fogo e olhos cinzentos, um olhar morto.
 – Eu não sei o que fazer. Mesmo vindo de uma família renegada, Marín insiste em ser uma caçadora, diz que quer ir pra academia daqui a dois anos e eu não sei se estou preparado pra deixar minha filha partir, Victor – disse aflito o homem de cabelos vermelhos
– Vlad, eu diria que estou passando pelo mesmo problema. Eu sou um Humani de nascença, todos da minha família são.  No seu caso ainda existe uma tranquilidade, sua filha possui poderes, ela tem como se proteger, já no meu...   disse Victor, abaixando sua cabeça
 – Fala de Dylan?
– Sim, o garoto insiste em ser batedor, e eu já não sei mais o que dizer.  Não quero meu filho no meio de seres poderosos e perigosos, ele é um reles Humani não tem por que querer seguir esse caminho, mesmo assim ele sempre fala em como deve ser legal ter poderes e viver gloriosas batalhas –
– Me desculpe, acho que ele acaba sendo um pouco influenciado pela Marín, ultimamente a garota não para de falar sobre isso –
– Acho que não, Vlad.  Os dois são grandes amigos, possuem os mesmos objetivos... Mesmo ainda sendo crianças eu acho que estão bem convictos do que querem –
– Pois é, eu só não sei até onde isso pode fazer mal aos dois  –
– Marín, Dylan, hora de ir pra casa –
 Vieram de cerca de 50 metros de onde os homens conversavam duas crianças de dez anos correndo.  A menina possuía cabelos roxos, estatura média e olhos verdes, bem diferentes dos do pai. O menino possuía cabelos pretos, estatura média e olhos castanhos. Alguns diriam que se trata de uma cópia perfeita do pai. As crianças e os pais se despediram e foram cada um para um lado.
 Aquele foi o último encontro dessas duas crianças. Desde então 15 anos se passaram, e eu não sei qual foi o caminho que a Marín seguiu, mas continuo correndo atrás dos meus sonhos. Continuo tentando ser aceito na academia de recrutas. Havia tentado por cinco vezes nos últimos anos, mas sequer passei da prova física. Continuo tentando também dominar os poderes de minha família. Apesar de serem poucos, acho que consigo despertar alguma coisa a mais com eles. Não sei por que, mas tenho a sensação de que nossos caminhos irão se cruzar.

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