Crônicas Mitty – Prólogo


A história do mundo pode ser divida em duas etapas: antes e depois da explosão. Antes dela os seres humanos viviam em seus respectivos continentes e pequenos universos, cada um com suas ambições, rotinas, decepções e lutas diárias.

Por volta do ano 150 A.E. (antes da explosão), tudo mudou. Tendo em vista a escassez de recursos naturais, várias nações entraram em guerra para garantir suas fontes de recursos e cada um tentou evitar que o outro se apossasse do pouco que tinha. Os confrontos começaram pequenos, primeiramente de forma política, tomando proporções cada vez maiores até chegar ao marco zero da linha divisória do tempo. A guerra ficou conhecida como Confronto do Recomeço, e foi marcada por milhares de mortes ao redor do planeta.

Em um dia há muito esquecido do mês de janeiro, agentes desenvolviam uma arma que combinava elementos químicos em um laboratório escondido na Rússia. Não se sabe ao certo qual das nações ordenou o ataque, mas todos os funcionários atuantes no local viram o momento em que o uma saraivada de balas caiu sobre as instalações. O local continha até mesmo elementos místicos, pois os pesquisadores buscavam criar a arma suprema, tendo estudado até mesmo a aura humana e sua fonte de energia para aplicar os conceitos àquilo que poderia causar destruição em massa.

Nenhum dos soldados ou generais inimigos ligava para isso. Sem se atentar ao estabilizador de matéria localizado na parte central do prédio, continuaram investindo de forma violenta. Na tentativa de evitar o vazamento de informações, os estudiosos acionaram bombas de autodestruição das instalações, o que gerou uma explosão de proporções catastróficas. Uma onda misturando elementos místicos e químicos se propagou pelo planeta. Plantas começaram a morrer e animais gritavam de dor. Os seres humanos, até mesmo os desprovidos de fé, sentiram uma perturbação imensa, mas não sabiam de onde vinha. Os recursos naturais, que eram cada vez mais escassos, foram se esvaindo aos poucos.

As placas que formavam os continentes começaram a se movimentar, todas para o mesmo ponto, como se estivessem em busca do ponto central da explosão. O caos se instaurou, e em pouco tempo todos os continentes se uniram apenas um. A água que permeava o planeta tomara uma coloração alaranjada, e as terras ficaram escuras, assim como uma noite sem luar. As matas se esvaíram, e a humanidade começou a pensar que o seu fim havia chegado.

O novo continente

A partir do incidente no laboratório localizado na Rússia, o calendário humano foi ‘resetado’. Algumas semanas depois começou a ser contada a nova linha na história do planeta, sendo que o que deveria ser fevereiro ou março voltou a ser janeiro.

Após a união do continente os líderes das extintas nações se uniram e fizeram um esforço para negociar a paz e cessar os conflitos. Como o mundo estava praticamente destruído não havia nada a perder durante a reunião. Após horas de debates e discursos inflamados ficou decidido que o novo continente seria dividido em distritos, enumerados de 0 a 49. Os detalhes geográficos seriam acertados posteriormente, e o nome da nova nação passou a ser, desde então, Naroly.

O fim da humanidade

Alguns anos depois da grande explosão a humanidade ainda se recuperava dos estragos sofridos e se adaptava à nova rotina, enquanto alguns pesquisadores obtinham mais informações a respeito de mutações. Desde a explosão os seres humanos passaram a testemunhar fenômenos nunca antes vistos, e aumentou o número de relatos sobre moradores que se transformavam em animais e depois voltavam ao normal. Aquele era o início do fim da raça humana.

Estudiosos conseguiram detectar alterações nos padrões de DNA da humanidade. A exposição ao material místico aliado a componentes químicos causou reações que surtiram efeito em quem nasceu no período após a explosão. A raça humana teve então o seu fim decretado pela natureza. Sem recursos naturais há anos, os agora fracos humanos deram espaço aos Mitty. Se tratavam de seres com aparência humana, mas DNA melhorado e expectativa de vida muito maior. Os novos seres possuíam grande capacidade a ser explorada.

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